O PAPEL DOS NEURÔNIOS-ESPELHO NA ALFABETIZAÇÃO COM BOQUINHAS .

O PAPEL DOS NEURÔNIOS-ESPELHO NA ALFABETIZAÇÃO COM BOQUINHAS
Annalisa de Faria Begiato annabegiato@gmail.com TCC O papel dos neurônios-espelho na alfabetização com Boquinhas – Jundiaí/SP 12 de junho de 2019.

Considerando os estudos vistos até agora, é possível perceber que os neurônios espelho podem ter grande, ou até imprescindível, participação na alfabetização com o Método das Boquinhas. Seu papel de “imitador” tem participação fundamental nesse processo, principalmente no aspecto articulatório, onde o neurônio ou prevendo a ação ou imitando-a reativa a memória neuronal, reforçando a aprendizagem e tornando-a mais significativa. Segundo Jardini (2017) a alfabetização engloba muitos aspectos e muitas áreas do conhecimento: […] Como a Linguística, a Pedagogia, a Neurologia, a Fonoaudiologia, a Psicomotricidade, a Psicologia, a psicopedagogia e tantas outras reconhecidas ou que venham a ser, e que estejam diretamente envolvidas nessa aquisição. Cada qual no seu segmento, com sua parcela de conhecimento atrelada a esse complexo conteúdo. (JARDINI, 2017, P. 35 e 36).

Consecutivo a esse pensamento, se é possível que todo esse processo seja descomplicado e potencializado, por que não o fazer? O Método das Boquinhas vem para simplificar e intensificar de uma forma global e assertiva um processo trabalhoso e árduo que é a alfabetização. E, para isso, tem a seu favor a Neurociência, que afirma em vários momentos, a eficácia da consciência fonológica, conforme nos aponta Pereira (2013) e da imitação através dos neurônios-espelho. […] o campo da consciência fonológica que tem uma relevância extraordinária, tanto pela sua pertinência como pelos mais recentes estudos com base nos avanços da Neurociência, os quais assumem caráter fundamental desta competência. A consciência fonológica nos seus mais diversos estágios ou etapas reveste-se de uma grande importância, pois a habilidade de discriminação e manipulação de segmentos da fala é requisito fundamental para a aquisição da leitura e da escrita. […] Esta estende-se para além do conhecimento dos sons da língua, sendo que para além da capacidade de assimilar a ligação entre os fonemas e os grafemas, o que se designa por consciência fonêmica há todo um leque de capacidades que fazem parte do processamento fonológico. (PEREIRA, 2013, P. 30.)

Como citado nos capítulos anteriores, no cérebro humano são encontradas algumas áreas cerebrais relacionadas à comunicação, a linguagem, a leitura e a escrita, que são: a área de Wernicke, a área de Broca e o Córtex pré-motor. Tendo em vista as áreas em que esses processos ocorrem fica claro que o envolvimento dos neurônios-espelho no processo de alfabetização, utilizando o Método das Boquinhas, se dá de forma irrefutável já que as áreas envolvidas nessas aquisições, bases para a alfabetização com a metodologia citada, são as mais ricas nesse tipo de neurônios. Para que haja a participação dos neurônios-espelho no processo da alfabetização com Boquinhas, mais especificamente na observação, na percepção tátil e na audição dos fonemas produzidos pela boca, é necessário que a ação já tenha sido executada anteriormente e que esteja registrada no repertório motor do indivíduo e que, principalmente, exista regularidade nessa ação. A ativação do sistema espelho também está relacionada a experiência motora do observador, pois somente são acionados quando a ação é conhecida pelo indivíduo. A quantidade de ativação do neurônio-espelho relaciona-se com o grau da habilidade motora para a ação. Por isso, para que o aprendizado ocorra é indispensável que um mediador exerça a função de apresentar essas particularidades para o aprendiz para que as ações se agreguem em seu repertório motor e para que ele desenvolva a habilidade motora para a ação.
Quando essas habilidades se tornam parte do repertório motor, a percepção visual do estímulo inicia, por meio dos neurônios-espelho, uma espécie de simulação interna dos atos dos outros que permite prever as intenções alheias. Esse aspecto é importante, porque a partir do momento em que se consegue prever a intenção do outro, o estímulo enviado para o córtex prémotor é muito mais significativo, envolvendo também nessa estrutura o planejamento motor, em que o cérebro parece associar a visão de movimentos alheios ao planejamento de seus próprios movimentos. Como cita Pereira com muita apropriação: “os nossos cérebros são únicos. Porém esse cérebro sofre alterações à medida em que aprendemos. Assim, o cérebro torna-se o ator principal nesse processo de estimulação.” (PEREIRA, 2012, p.22). Aponta que cada processo será único porque cada indivíduo tem sua história e suas modificações individuais e que é extremamente necessário que o cérebro se torne o centro de todo o aprendizado, pois também está em constante mudança, pois a cada nova experiência, redes neurológicas são rearranjadas, sinapses são reforçadas e surgem inúmeras possibilidades de reposta a um único estímulo. Por fim, considerando todos os dados levantados, é quase impossível dissociar essa nova descoberta dos neurônios-espelho da completude do Método das Boquinhas, já que a cada momento uma nova similaridade é descoberta com relação às áreas em que se envolvem, às aquisições que proporcionam e às contribuições que trazem para a área da Neurociência. Embora os dados apresentados sejam convincentes e coerentes, por ser uma descoberta muito recente, ainda não há estudos que comprovem cientificamente a relação dos neurônios-espelho com o Método Fonovisuoarticulatório, e, para que essa comprovação aconteça são necessários muitos estudos e exames. Porém, é nítido um movimento em relação a isso e, provavelmente, em breve, haverá novas descobertas que contribuirão muito para a visão geral da alfabetização, visto que são duas ideias que se complementam e podem agregar muito na educação.

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